Atualizado em 17 de setembro de 2026.

Concordância verbal é a relação que faz o verbo acompanhar o sujeito em número e pessoa. Para resolver questões de concursos, o caminho mais seguro é localizar o verbo, encontrar o sujeito e identificar seu núcleo. Só depois verifique se existe uma construção especial, como haver impessoal, voz passiva com se ou expressão partitiva.

Este guia reúne uma seleção didática de regras e contrastes, com exemplos próprios e exercícios comentados. Não é um ranking estatístico das bancas: a prioridade de estudo também depende do conteúdo programático e das provas anteriores do seu concurso. A base de consulta são manuais oficiais de redação e comunicação, indicados ao final.

Concordância verbal para concursos: regras, exemplos e pegadinhas, com livro e lápis sobre fundo preto.
Concordância verbal: identifique o sujeito antes de escolher a flexão. Arte: Mapas Pro.

Quadro-resumo: singular, plural ou duas possibilidades?

Concordância verbal: compare a construção e a solução
Construção Exemplo correto e motivo
Núcleo singular A relação de inscritos chegou. O núcleo é relação.
Sujeito plural após o verbo Faltam duas assinaturas. Assinaturas é o núcleo do sujeito.
Haver = existir Havia dúvidas. Haver é impessoal nesse sentido.
Existir Existiam dúvidas. Dúvidas é o sujeito plural.
Fazer = tempo decorrido Faz três meses. Nesse emprego, fazer é impessoal.
Se apassivador Conferem-se documentos. Documentos são conferidos.
Se indeterminador Precisa-se de revisores. O sujeito é indeterminado.
Expressão partitiva A maioria dos alunos revisou/revisaram. Duas concordâncias admitidas.

1. O núcleo do sujeito vale mais que a palavra próxima

Leia: “O conjunto de orientações sobre as etapas da seleção foi divulgado”. Há várias palavras no plural entre o núcleo e o verbo, mas o sujeito está organizado em torno de “conjunto”. Por isso, a flexão está no singular. Apagar mentalmente os termos acessórios pode ajudar: “O conjunto foi divulgado”.

Agora altere apenas o núcleo: “As orientações sobre as etapas da seleção foram divulgadas”. O verbo passa ao plural porque o sujeito mudou. Esse par mostra por que escolher a alternativa apenas pelo som da frase é arriscado. Marque a palavra que efetivamente controla a concordância.

A posição também não transforma sujeito em complemento. Em “No processo, constam três declarações”, pergunte o que consta: três declarações. Reorganize: “Três declarações constam no processo”. A inversão facilita a leitura, mas não altera a análise sintática.

2. Haver e existir: sentidos próximos, concordâncias diferentes

Compare “Houve problemas” e “Existiram problemas”. As frases podem comunicar uma situação semelhante, mas funcionam de maneira diferente. No primeiro caso, haver é impessoal; no segundo, problemas é sujeito de existir. A substituição exige ajustar a flexão, não apenas trocar uma palavra.

O cuidado continua nas locuções: “Deve haver alternativas” e “Devem existir alternativas”. Quando acompanha haver impessoal, o auxiliar também permanece no singular. Portanto, “devem haver alternativas” não atende à norma-padrão nessa construção.

Não decore “haver nunca vai ao plural”. Em “Os servidores haviam concluído a análise”, haver é auxiliar de um tempo composto e acompanha o sujeito plural. Antes de aplicar o macete, identifique o sentido e a função do verbo na frase.

3. Fazer: tempo decorrido não é sujeito

Em “Faz dois anos que estudo”, a expressão “dois anos” não é sujeito de fazer. O verbo indica tempo decorrido e permanece no singular. A mesma lógica aparece em “Deve fazer dois anos”.

Já em “Os candidatos fazem exercícios”, existe sujeito plural e o verbo tem outro emprego. Uma boa revisão reúne pares contrastivos como esses: mesma forma básica, funções diferentes. Assim, você aprende a reconhecer o contexto em vez de aplicar uma proibição inexistente.

4. Partícula se: a diferença que muda a resposta

O se não determina sozinho que o verbo fique no singular. Em “Analisam-se recursos”, temos uma construção passiva: “Recursos são analisados”. O sujeito paciente é plural; o verbo também. No singular, seria “Analisa-se um recurso”.

Compare com “Necessita-se de informações”. Nessa construção, o verbo exige a preposição “de”, e o se funciona como índice de indeterminação do sujeito. O termo “de informações” é complemento, não sujeito; a flexão fica no singular.

Dois usos do se: não confunda
Pergunta de revisão Como aplicar
Há voz passiva? Em “Publicam-se avisos”, é possível dizer “Avisos são publicados”. O verbo concorda com avisos.
O sujeito está indeterminado? Em “Precisa-se de monitores”, não há sujeito expresso. O verbo fica na terceira pessoa do singular.
Basta procurar uma preposição? Não. Examine a função do termo e a regência do verbo. A preposição isolada não resolve qualquer frase.

A transformação em “ser + particípio” é um teste didático útil nos exemplos passivos deste quadro, mas não substitui a análise sintática. Existem outros usos de se, como o reflexivo. Não trate todas as ocorrências da palavra como se fossem apassivadoras ou indeterminadoras.

5. Expressões partitivas e sujeito composto

Em “A maioria dos participantes entregou a atividade”, a concordância destaca a maioria. Em “A maioria dos participantes entregaram a atividade”, acompanha participantes. O Manual de Comunicação do Senado admite as duas possibilidades nesse tipo de construção partitiva.

Para o sujeito composto, comece pelo caso direto: “O professor e a monitora revisaram o material”. Com os dois núcleos antes do verbo, a regra geral é o plural. Não transporte automaticamente esse modelo para toda frase com “e”: a posição dos termos e construções especiais precisam ser consideradas.

Se a questão afirmar que uma forma é “a única correta”, examine justamente as possibilidades facultativas. Também diferencie a pergunta sobre correção gramatical daquela que exige preservar a ênfase ou o sentido. Uma reescrita pode ser gramatical e, ainda assim, mudar o destaque do enunciado.

Teste seu entendimento: cinco questões comentadas

Exercícios autorais. Julgue cada frase segundo a norma-padrão antes de ler o comentário.

1. “A conferência dos dados terminaram ontem.”

Incorreta. O núcleo do sujeito é conferência. Correção: “A conferência dos dados terminou ontem”. O plural próximo não determina a flexão.

2. “Podem existir soluções mais simples.”

Correta. Soluções é sujeito plural de existir. Se o verbo fosse haver com sentido existencial, a construção seria “Pode haver soluções mais simples”.

3. “Já fazem seis meses desde a primeira revisão.”

Incorreta. Fazer indica tempo decorrido. A forma adequada é “Já faz seis meses desde a primeira revisão”.

4. “Recebem-se documentos por meio eletrônico.”

Correta. Trata-se de voz passiva sintética. Documentos é sujeito paciente plural: “Documentos são recebidos por meio eletrônico”.

5. “A maioria dos estudantes revisaram o conteúdo.”

Correta. A concordância com estudantes é admitida. “A maioria dos estudantes revisou o conteúdo” também está correta. Não confunda dupla possibilidade com erro.

Como transformar os erros em revisão útil

Depois de resolver uma questão, registre três informações: a construção que gerou dúvida, a forma correta e a justificativa em uma frase. Evite anotar somente a letra do gabarito. Sem a explicação, você pode acertar a repetição e errar uma frase nova com a mesma estrutura.

Em seguida, crie um par contrastivo: “havia vagas/existiam vagas” ou “analisam-se recursos/precisa-se de apoio”. Refaça a análise sem consultar o quadro. Se continuar em dúvida, retome sujeito, transitividade e voz passiva antes de acumular mais exceções.

Para ampliar a revisão de Português, consulte também o quadro de crase obrigatória, facultativa e proibida. Embora os assuntos sejam diferentes, ambos exigem reconhecer as relações entre os termos. Você também encontra outras explicações e questões no blog de estudos de Mapas Pro.

Perguntas frequentes sobre concordância verbal

Qual é a regra geral da concordância verbal?

O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito. Identifique o núcleo do sujeito antes de escolher a flexão.

O correto é havia ou haviam dúvidas?

Havia dúvidas. Haver com sentido de existir é impessoal e fica na terceira pessoa do singular.

O correto é precisa-se ou precisam-se de revisores?

Precisa-se de revisores. Nesse emprego, o se indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.

A maioria dos candidatos estudou ou estudaram?

As duas formas são admitidas: a concordância pode ocorrer com a expressão partitiva ou com o substantivo plural que a acompanha.

Fontes oficiais para conferir as regras

Os exemplos, os quadros de revisão e os exercícios deste artigo foram elaborados para fins didáticos; não são questões oficiais de banca.